Expedição Vaz Canadá

Cristais de gelo na janela do avião próximo a YellowKnife

Yellowknife – Ice Road – 2011

“Um lugar distante e muito frio”

Era uma madrugada fria em Fortaleza, pois estava com o ar condicionado ligado e acordei tremendo. Tratei de me cobrir, tive dificuldade para voltar a dormir. liguei a televisão e estava passando o documentário “Caminhoneiros no gelo”. Fiquei literalmente congelado olhando para a telinha, um lugar muito distante e uma estrada de gelo. Um grande desafio começava naquele instante.

A cada dia que passa os desafios ficam mais raros, já que quase não existe uma trilha nunca antes percorrida ou um lugar que ninguém ainda colocou os pés. Yellowknife, Norte do Canadá, 20.000km de Fortaleza, 35 graus negativos, eram ingredientes suficientes para aquecer meus instintos desde a Antártica. Na manhã seguinte entrei no Google e fui bater lá. Chamo as minhas viagens de expedição e não de aventuras, pois elas são bem planejadas e, apesar do processo de decisão e feito totalmente pelo coração, tem que vir de dentro. É uma sensação inexplicável, me dá confiança, força, coragem e a certeza de que tudo vai acabar bem.

Apesar da enorme quantidade de informações disponíveis na Internet, desenvolver a logística de uma expedição desta envergadura era quase impossível então, em janeiro de 2010, fui até Yellowknife para fazer o reconhecimento e estabelecer contatos, visando a realização no ano seguinte. Nessa primeira estadia, assim como chegar na Antártica, o choque foi grande, não somente devido ao frio, melhor dizendo, ao gelo. Nesses lugares, a primeira coisa que o estrangeiro tem que aprender é que a natureza controla toda a situação e escutar os locais é fundamental. Em resumo, é tipo você morar dentro de um grande freezer e, para um Cearense acostumado a temperaturas médias de 30 graus positivos, descer para 38 graus negativos, foi um grande choque. Pensava eu que, devido a experiência na Antártica, o frio seria tolerável e não foi bem assim.

MANUTENÇÃO DA ESTRADA DE GELO – YELLOWKNIFE

Então, na primeira semana de janeiro de 2011, embarcamos para Yellowknife, extremo Norte do Canadá, no auge do inverno. Nessa época, os rios e lagos congelam totalmente e uma estrada é construída e mantida durante aproximadamente 3 meses. São 600km de extensão e um metro e meio de espessura de puro gelo. Nesse período, essa estrada suporta o movimento de grandes carreatas que levam suprimentos e equipamentos pesados para as comunidades distantes e para a indústria petrolífera e de mineração, principalmente as de diamantes. No resto do ano, toda essa logística é realizada por aviões e com custos altíssimos.

AEROPORTO MUNICIPAL – YELLOWKNIFE

Levamos em torno de quase dois dias para irmos de Fortaleza até Yellowknife. Ao chegar, a equipe tratou de ir para o hotel e trocar de roupa e, apesar do cansaço, saimos para caminhar sem se importar muito com o frio. Adrenalina pura. A noite, dormimos o sono dos justos e, no dia seguinte, acordamos tarde, por volta das 09:00 horas mas ainda estava escuro. Por outro lado, escurecia por volta de 15:30, um aviso de que eu precisaria otimizar o tempo com luz para realizar a pilotagem.

PILOTAGEM BOZOKA – ESTRADA DE GELO

A antecipação da ida um ano antes pagou e foi só permanecer no planejamento para que tudo ocorresse sem surpresas. Pilotar na estrada de gelo foi uma experiência inesquecível e difícil de descrever com palavras. Um cenário desafiador e de beleza singular. Conviver com o povo das regiões polares do Norte do Canadá e entender um pouco de sua cultura, culinária, costumes e religião, acrescentou muito as nossas vidas.

Não posso encerrar esse relato sem contar um capítulo a parte e que também fez valer a pena ir para tão longe. Avistar a Aurora Boreal não é só uma experiência visual é algo tão impressionante que é como ” ver com o coração e com a alma”. Luzes coloridas com a escuridão de cor contrastando com a escuridão da noite.

AURORA BOREAL PRÓXIMO YELLOWKNIFE

Às vezes, no silêncio e na escuridão do meu quarto penso em todos os lugares onde já estive e o tanto que fui abençoado por Deus que me permitiu viver todas essas experiências. Dou um pequeno sorriso de pura satisfação e agradecimento, onde penso: o mundo é muito grande e a inquietude da criança volta, o coração acelera e ás vezes demoro a dormir. Sonho com novas expedições e aconselho você a fazer o mesmo.

Nunca deixe de sonhar pois, quando deixamos de sonhar a nossa alma começa a morrer.

Veja mais fotos e detalhes técnicos desta expedição AQUI.

 

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