Perseverança

O caminho é longo mas a vitória chegará.

Somente leia se você está pensando em desistir de atingir uma meta, é uma história real de um Motociclista.

Em 1999 eu trabalhava como Supervisor de vendas de uma Fábrica de biscoitos, bom salário além de benefícios mas foi uma fase bipolar. Eram duas pessoas dentro do mesmo corpo eu me cobrava todos os dias, quem era eu? Por que insistir em um trabalho que não tinha absolutamente nada haver comigo? Me violentava em fazer.

Desde criança alimentava o sonho de ser um motociclista profissional, viajar pelo mundo patrocinado é claro, mas na teoria e no papel tudo funciona.Na prática, é bem mais complicado.  Nesse ponto a persistência e a constância são fundamentais pois não adianta ser apenas persistente é necessário se manter focado e constante, dia após dia.

Escrevi o projeto Na Trilha dos Incas, de Fortaleza para Machu Picchu no Peru ida e volta, ficou muito bom na minha opinião e acreditei nele. Se você não acredita consequentemente não vai convencer ninguém. Decidi pedir demissão e ser Piloto de Moto, isso ainda enche o meu peito do bom orgulho.

O problema é que as coisas não aconteceram e os patrocínios não vieram. Visitei muitos empresários, incontáveis horas de chás de cadeiras e noites em claro. Meses se passaram, o dinheiro que eu tinha de reserva acabou totalmente e cheguei a pensar “se nada acontecer no dia tal vou parar e voltar a ter um trabalho normal ‘’. Pressão de familiares e amigos, eles apenas queriam o melhor para mim.

As datas previstas para desistir chegavam mas, imediatamente, eu já as colocava para frente novamente. Rezava e pedia ajuda a Deus. Me perguntava: sou persistente ou apenas uma pessoa obcecada? A vida me provocava. Eu falava “pode bater não sei como vou conseguir, mas vou” . Havia algo que dizia para eu não desistir , hoje tenho certeza de que esse mérito não foi meu. Sei que Deus me abençoou mas, na época e dentro da situação, não tinha como perceber isso, achava que toda a força para lutar era minha. O problema e a solução, é no tempo de Deus, o Kaíros, e o relógio dele bate em outro ritmo.

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Bem o dinheiro acabou totalmente. Nessa época voltei a morar na Casa dos meus Pais. Andava a pé e de ônibus. Um grande ensinamento que me fortaleceu.

Porém, em uma dessas caminhadas, encontrei um amigo Motociclista e sogro de um empresário bem sucedido com lojas por vários Estados do Brasil.

O diálogo foi assim:

-Bozoka como está o projeto da expedição para o Peru?

-Tudo certo, devo partir em breve. Falei.

-O ‘’empresário ‘’quer falar contigo, ele quer te patrocinar, passa lá na empresa amanhã.

-Que horas? Perguntei.

-Às 09:00 horas.

– Vou passar sim. Respondi.

Passei a noite acordado, ansiedade pela possibilidade do patrocínio, escutava o meu coração no travesseiro. Além de não ter dinheiro para ir até lá , seriam quatro ônibus e eu só tinha dinheiro para dois.

No dia seguinte acordei cedo, peguei uma pasta, coloquei o projeto dentro , uma garrafa de coca cola de 600 ml,água e uma banana. A melhor roupa é claro e um capacete.

Parti e estava muito quente. Logo nos primeiros quarteirões comecei a transpirar igual a um cabo de chaleira esse trecho levou aproximadamente uma hora, chequei na Praça da Estação e peguei o ônibus. Na viagem até a empresa preparei todo o meu discurso de convencimento. Por dentro um frio na barriga, por fora calmo como um jogador de xadrez. Eu estava lá.

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Imagem ilustrativa

Me identifiquei e pedi para falar com o chefe, a secretária ligou e imediatamente pediu para eu entrar. A conversa foi assim:

– Tudo bom meu amigo Bozoka?

– Tudo meu amigo, respondi.

-Ainda dá tempo para eu patrocinar?Ele falou. Tem espaço na roupa e na moto para a minha logomarca?

– Rapaz como você é meu amigo tem sim.

– Pois eu quero! Quanto é?R$ 5000.00 dá para começar?

– Com certeza, falei.

Ele pegou um pequeno pedaço de papel escreveu R$ 5.000.00 , assinou e disse “passe na Tesouraria agora e pegue”.

Por fim, ele perguntou:

– Veio de moto?

-Apontei para o capacete que tinha colocado bem em cima da mesa dele e balancei a cabeça.

Neste momento, tipo ‘’muita calma nessa hora’’ apertei a mão dele e agradeci. Comecei a sair da sala, dei alguns passos em direção a porta e ele disse:

-Bozoka, quando esse dinheiro acabar passe em qualquer loja minha na sua rota, fale com o Gerente e peça para entrar em contato comigo para você pegar mais dinheiro. Olhei para ele mas não consegui falar nada. Parecia um sonho mas graças a Deus era realidade.

Fui direto na Tesouraria, a moça nem perguntou nada e me passou o dinheiro. Havia um banheiro ao lado, entrei, e não tinha ninguém. Soltei um grito silencioso, a boca aberta como se estivesse gritando e braços ao ar como um jogador de futebol que faz um gol no final de Copa do Mundo.

Hora de ir embora, passos vagarosos, e felicidade plena. Quando chequei do lado de fora estava passando um Taxi. Dei sinal e entrei.

-Para onde é Senhor?

-Minha Casa, respondi.

Desse ponto em diante, outras empresas entraram em contato e decidiram patrocinar. Faltava a moto mas essa é uma outra história. Todos os problemas em um instante foram embora e a porta se abriu.

A Deus devemos pedir força para perseverar não para desistir e entender que as vitórias pessoais não são pessoais, são bênçãos.

Sonhos. Acredite nos seus mas não esqueça de dobrar os joelhos. Eu pessoalmente nunca vi Deus e nunca vi o vento.

A travessia em duas voadeiras Rio Acre

Veja mais detalhes da Expedição Na Trilha dos Incas  Aqui

 

 

 

 

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