É possível se relacionar com uma Motocicleta?

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Por favor não pense que sou algum tipo estranho de pessoa porém posso afirmar, com certeza, e já que a nossa comunidade é formada por motociclistas que a resposta é um grande SIM.

Em todas as expedições de moto que fiz isso aconteceu, uma verdadeira simbiose motocicleta e piloto.

Leva um tempo para esse relacionamento começar e o primeiro sintoma que aparece é quando você se flagra conversando com ela durante a pilotagem. A intimidade aumenta, depois de uns 10 dias você é capaz de executar qualquer manobra, curvas, frenagens, o ponto de ultrapassagem, dentre outras. O conhecimento desperta a confiança e o sentimento de ‘’ quero ficar contigo para sempre ‘’ ou “ contigo vou a qualquer lugar do mundo ‘’se fortalecem.

Vou contar dois exemplos claros desse relacionamento. O primeiro na Expedição Desafio das 3 Américas mais precisamente no México com a Honda XL 600 Transalp e o segundo com a Honda NX 4 Falcon na expedição Na Trilha dos Incas onde aconteceu em lençóis, Chapada Diamantina na Bahia.

Com a Honda XL 600 Transalp foi assim: No México muitos Hotéis eram térreos e os quartos eram grandes. Certa vez coloquei a moto dentro do quarto e, nos minutos que antecederam o sono, olhei para o lado e lá estava ela, ao lado da cama. Senti conforto e tranquilidade já que a mesma estava do lado de dentro e não iria dormir ao relento exposta aos elementos da natureza e, muito menos, passível de roubo. Era como se fosse da família e, ainda fui mais longe, estiquei a perna e coloquei o pé encostado no acento. Adormeci assim.

Com a Honda XL 600 Transalp – Deserto de Sonora México

Em relação a Honda NX 4 FALCON, lembro que, neste dia, vivenciei um sufoco na estrada. Uma abelha passou pela viseira e me picou abaixo do olho. O impacto foi assustador e, além da dor intensa no rosto por alguns minutos, tive grande dificuldade de respirar. Puxava o ar mas ele não vinha de forma suficiente. Lembro que uma carreta que vinha atrás de mim colou na minha traseira, não por atitude do Motorista, mas devido a minha redução de velocidade. Fiquei confuso e,graças a Deus, surgiu o acostamento. Parei, desci, me acalmei, tirei o capacete e tudo voltou ao normal depois de alguns minutos. Fui para o Hotel dentro da Cidade e o meu quarto ficava ao lado de uma pequena Cachoeira. Depois do jantar e antes de ir definitivamente para a minha acomodação, deu vontade de ver a moto no estacionamento. Ela estava lá intacta, forte, confiável e pronta para seguir viagem. Olhei para ela, passei a mão direita por cima do tanque como se a estivesse acariciando algumas vezes, agradeci e a reconheci como amiga, companheira e ali sabia que iria até Machu Picchú e voltaria nela para Casa.

Honda NX Falcon – Percurso Expedição na Trilha dos Incas

Bem, se você conseguiu se identificar com esse texto, pode ter a certeza de que esse é o verdadeiro espírito do Motociclista por sua MOTO.

 

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